Veja mais


24/03/2017
Mais pela democracia

--------------------------------------------


17/03/2017
O povo merece respeito

--------------------------------------------


10/03/2017
Críticas e avaliações

--------------------------------------------


03/03/2017
Abismo da consciência

--------------------------------------------


24/02/2017
Cidadania e lideranças

--------------------------------------------


17/02/2017
Ética civil soberana

--------------------------------------------


10/02/2017
Pela força da palavra

--------------------------------------------


03/02/2017
Recuperar as instituições

--------------------------------------------


27/01/2017
Encantar-se com a verdade

--------------------------------------------


20/01/2017
Mineiros e seu Santuário

--------------------------------------------


13/01/2017
Frear as banalizações

--------------------------------------------


06/01/2017
Uma política para a paz

--------------------------------------------


30/12/2016
Por um Ano Novo

--------------------------------------------


23/12/2016
Natal: acenda sua luz

--------------------------------------------


16/12/2016
Crise na representação

--------------------------------------------


09/12/2016
Advento, um tempo novo

--------------------------------------------


02/12/2016
Acolher uma nova vida

--------------------------------------------


25/11/2016
A caminho com Francisco

--------------------------------------------


18/11/2016
Evangelho da tolerância

--------------------------------------------


11/11/2016
Painel de escolhas

--------------------------------------------

Ver Todas [+]

Liturgia

Palavra da Igreja > Artigo do Arcebispo

Críticas e avaliações

10/03/2017


A fragilidade dos fundamentos da cultura pode ser uma das causas que explicam a incapacidade que a sociedade tem ao lidar com as críticas e as avaliações. Muito frequentemente, o que deveria ser uma rica troca de argumentos se reduz a ataques e ironias. Basta observar o cotidiano das pessoas nos diferentes setores. É incrível a falta de compostura de muitos parlamentares durante seus pronunciamentos, ou mesmo certas atitudes dos cidadãos. Essa falta de respeito resulta também da incompetência para uma autoavaliação. Movidos pela revolta pessoal que nasce do desinteresse em exercitar o autoconhecimento, muitos se sentem no direito de dizer, de qualquer jeito, o que bem entendem, sem medir as consequências. Por isso mesmo, é crescente a incompetência para avaliar os próprios atos e conceitos.  Sem reconhecer a própria inaptidão, muitos se consideram certos em tudo. Acham-se no direito de desferir juízos sobre os outros e permanecem fechados a qualquer tipo de observação, ainda que seja pertinente.

Essa fragilidade no tecido cultural gera uma atmosfera permanente de revolta nas relações, fazendo crescer a intolerância e os equívocos no discernimento e adoção das prioridades. Consequentemente, perde-se o sentido de limite, que é necessário para que sejam estabelecidas as relações humanas. Impulsos que brutalizam essas relações ganham força, enquanto as instituições sociais ficam enfraquecidas. Assim se estabelece uma confusão que deseduca e é responsável por retrocessos civilizatórios. O risco permanente é a sociedade ser conduzida ao marasmo e às permissividades. De um lado, ficam as massas enfurecidas e raivosas. Do outro, defensivamente e se lamentando, os dirigentes, líderes e representantes do povo. Um descompasso de terríveis proporções.

Nesse contexto, nascem os medos paralisantes e a falta de criatividade que inviabilizam as respostas urgentes e necessárias. Tudo acaba em confusão que descompassadamente envolve o conjunto da vida. Urge aprender e praticar, culturalmente, a competência para se fazer críticas pertinentes, que nunca pode estar desatrelada da autoavaliação. E para se alcançar essa habilidade, torna-se necessário investir na autoestima. Quem não conquistou essa qualidade, não suporta críticas e permanece obtuso. Busca promoção e privilégios sem avaliar o próprio desempenho. Segue a tendência medíocre de se “fazer juízo em causa própria”, com a parcialidade de quem não aceita observações ou posicionamentos divergentes.

A sociedade e suas instituições não avançam se os cidadãos não cultivarem a competência crítica que pressupõe abertura suficiente também para se deixarem avaliar. São sempre lamentáveis a animosidade e a resistência criadas quando o discurso inclui críticas e avaliações. Buscam-se justificativas para tudo. Dessa forma, uma barreira intransponível é construída, impedindo o diálogo capaz de reorientar processos. As perdas são muitas, nos prazos e na qualidade dos resultados, pois o objetivo é cada um se colocar como o melhor e o mais importante.

Investimentos civilizatórios capazes de garantir aos cidadãos a competência de criticar, de ouvir críticas e de se deixar inserir em processos de avaliação, em vista do bem maior, são urgentes. Não há outro caminho para superar mediocridades nos âmbitos dos funcionamentos institucionais, que requerem sempre novas respostas, em razão dos crescentes desafios da sociedade contemporânea. Nesse sentido, oportuno é avançar na implantação de sistemas que possam avaliar desempenhos em diferentes âmbitos - educacional, religioso, cultural, político e tantos outros – capacitando todos com a habilidade para criticar e ouvir críticas. Assim se alcança a cidadania qualificada, com a abertura a processos permanentes de avaliação.

 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo

Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte

 

 

  

 

 
Compartilhe:

Arquidiocese de Belo Horizonte | Cúria Metropolitana

Av. Brasil, 2079 | Bairro Funcionários | CEP 30140-007 | Belo Horizonte - MG
Geral: 31 3269-3100 | Mitra: 31 3269-3131 | Chancelaria: 31 3269-3103